quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Capítulo 5 (Último Capítulo)

 
 
Pov Lua

  - Porque você fez isso pai?- Eu gritei tentando socorrer o Arthur.

  - Como você tem coragem de sair com qualquer um que você conhece?

  - Não é qualquer um, é meu namorado!

  - Como é que é?- Ele arregalou os olhos para mim.

  - É meu namorado!!- O coloquei sentado no sofá e meu pai veio na minha direção.

  - Como você começa a namorar qualquer um que você acha e sai pelas ruas parecendo uma desembestada agindo como uma criança?- Tomei um ar num suspiro profundo e tomei uma coragem para enfrentar ele também.

  - E o senhor está agindo como? Como um pai dos anos 50 em que a filha não pode conhecer ninguém, nem sequer num verão, como em todo o ano e tentar viver bem porque o pai acha simplesmente que ela tem que se dedicar a atividade “lúdica” de lavar pratos, cozinhar e arrumar casa para conseguir um “bom partido”.- Ele arregalou mais os olhos para mim e eu o encarei.- Eu não sou mais criança! Eu quero viver o que eu acho de bom, se é para aprender, eu vou aprender com meus erros! E vou viver cada minuto da minha minúscula vida fora de casa como um sonho! Todas as experiências, seja lá o que for e ninguém vai me impedir!- Ele me deu um tapa na cara e o Arthur levantou do sofá. Meu pai o pegou pelo braço e o botou para fora de casa. Eu ouvi ele me chamando e tentei ir atrás, mas já era tarde e meu pai já vinha em minha direção.

  - SUBA AGORA! LIGUE PARA SUA MÃE E AVISE QUE ESTÁ VOLTANDO.

  - Pai... Por favor...- Estava aos soluços já, sem saber do Arthur, nem o que ele ia fazer comigo. Eu o amava! Sim! Eu o amava! Amava tanto meu pai quanto o Arthur, mas ele não tinha o direito de me privar de ser feliz, era uma única oportunidade de viver com quem eu tinha certeza de que nunca me faria mal, que era o meu sonho de verão, era meu sonho terno e eterno. Lembrança guardada com carinho inigualável no meu coração. Subi degrau por degrau. Tranquei a porta do quarto e disquei o número da minha agenda, que com certeza era o mais preciso.

xx  Começo da Ligação  xx

- Amigaa! Como tá aí?

- Oi Sô.- Falei fraca.

- O que houve?

- Quando chegar eu te falo, estou chegando aí hoje, no final da tarde, me espera no aeroporto?

- Claro amiga, mas o que houve, porque estava chorando?

- Prometo que te explico, beijos e até.

- Até...

xx  Fim da Ligação  xx

  Arrumei minhas malas e mandei uma mensagem para minha mãe dizendo que estaria de volta daqui a algumas horas. Lavei meu rosto, para ver se desinchava, mas infelizmente não funcionou. Desci do mesmo jeito e encontrei meu pai, já com minha passagem impressa na mão a minha espera:

  - Nunca mais se envolva com qualquer um.

  - ELE NÃO É QUALQUER UM!- Gritei defendendo.

  - Não vou mais discutir com você, não tem porque.

  - Não tem porque o que o senhor fez, tudo isso porque estava namorando.

  - Eu disse que não vou mais discutir, vá para o carro e eu levo a mala.- Desobedeci e eu mesma a levei. Fomos o caminho em silêncio e quando chegamos ele foi me dar um abraço. Empurrei sua mão e saí a pisadas firmes. Fiz o check-in e entrei no avião com 5 minutos de atraso. Sentei-me ao lado de um garoto, um garoto não, um jovem, aparentava a mesma idade do Arthur e olhou para mim:

  - Houve alguma coisa?

  - Não te interessa.

  - Não precisa ser grossa.

  - Não precisa falar nada.

  - Só queria ajudar.

  - Então fica quieto.- Assim que a comissária de bordo permitiu que ligássemos os celulares no modo avião, o fiz. Estava sem paciência para escutar ninguém com seus conselhos, eu queria o Arthur comigo, mas depois de um tempo eu fiquei com remorso do jeito que eu falei com o meu “vizinho” e virei-me a ele.- Desculpe, eu não estou muito bem.

  - Não, tudo bem.- Ele sorriu.- É assim mesmo que acontece, a gente fica de cabeça quente e não quer conversar com ninguém, mas de qualquer forma, tudo vai se resolver.

  - Brigada.- Chegou em meu destino. Acenei para ele que continuaria, porque era só uma escala e desci. Peguei minhas malas e quando abri a porta a Sophia estava a minha espera toda Polly Pocket, rosa neon e verde neon.

  - Amiga...- Ela me lançou um olhar acolhedor e me abraçou.- O Mica tá aí para levar a gente, em casa você me conta tudo o que aconteceu. Ah! Sua mãe pediu desculpa, mas ela teve de ir a uma reunião e mandou avisar que daqui a alguns dias vocês vão se mudar para aquele apartamento.- Íamos nos mudar mesmo, não fiquei espantada, e além do mais, era só de casa, não de cidade.

  - Tudo bem.- Saímos abraçadas e entramos no carro do Micael.- Oi Mica!

  - Oi Lu! Tudo bem?- Ele olhou pelo retrovisor. Sorri.

  - Sim.- O caminho todo essa foi a única conversa. Quando chegamos em casa ele se despediu da Soph e nós duas entramos. Fomos para meu quarto, eu tomei um banho e começamos a guardar as minhas roupas sujas e limpas e a arrumar o guarda-roupa:

  - Fiquei preocupada Lu... O que houve?

  - Lembra-se daquele menino que contei para vocês que eu tinha conhecido?

  - Sim.

  - Então, meu pai só ia voltar do trabalho amanhã no final da tarde, aí a gente começou a namorar e eu dormi na casa dele, sem segundas intenções Sophia!- Olhei para ela e voltei a arrumar as coisas e ao mesmo tempo contar.- Quando eu voltei, meu pai deu um soco na cara dele, me deu um tapa na cara e colocou ele para fora só porque não queria que eu namorasse, e blá blá blá. Foi aí que eu liguei para você, arrumei minhas coisas e fui para o aeroporto.- Meus olhos já estavam marejados.

  - Amiga...- Nos abraçamos forte.- Tudo vai se resolver. E vamos esquecer isso e arrumar suas coisas.- E o fizemos.- Fomeeee!

  - Sophia sua draga.- Rimos. Descemos, nos lambuzamos de bolo de chocolate e refrigerante e depois subimos de novo.

  - Vamos sair hoje para o calçadão e ficar colocando apelidos no povo?

  - Essa é minha atividade preferida! Eu vou me arrumando enquanto você liga para o pessoal tá bom?

  - Ok dona Lua, coloca rosa hein!

  - Nunca! Preto é vida!- Gritei do banheiro.

  - Vida do Drácula!

  - Então meu nome agora é DracuLua!- Gargalhamos.

  - Então seu pretendente é o Drácula?!

  - Não!

  - E quem é?

  - O DracuThur!- Rimos.

(...)

“Querido diário,

Hey! Última folha! Há quanto tempo hein?! 5 anos! Quando me mudei acabei perdendo você e nem sequer save das “novs”. Deu tudo errado naquele tempo, o meu pai bateu no Arthur porque não queria que eu namorasse com ninguém e eu voltei para casa. Três dias depois me mudei para um apartamento e foi aí que eu perdi você. E olha onde eu te encontrei! No meio das minha velharias, e aqui vai o relato mais lindo, na sua última folha, eu e o Arthur nos reencontramos! É... Alugamos um apartamento e moramos juntos. Na verdade foi um acaso, quando eu estava a procura de emprego e adivinha quem se sentou ao meu lado à procura da mesma coisa? Pois é... É como dizem, sonho que é sonho não acaba, somente pede uma pausa, um momento de reflexão, e eu refleti e escolhi minha opinião (rimou!), ele sim é o dono do meu coração, dos meus sonhos profundos, dos meus carinhos guardados e de todo o meu amor. Enquanto a Sophia e a Mel... engravidaram! E eu sou madrinha das filhas delas, eu e o Arthur, meu DracuThur (ainda lembro dessa piada). Eu e o Arthur ainda não pensamos em ter filhos nem nada, cedo ainda, MUITO cedo! Mas nos amamos muito.
Beijos,
 
Lua."
 
 
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Capítulo 4 (Penúltimo Capítulo)

 
 
 
(Quem Lembra desse "Beijo Técnico e Puramente Profissional")
 
Pov Lua
  - Também te amo, agora levanta daí que a gente tem que arrumar as coisas.- Dei um selinho nele e levantei, seguido por ele. Peguei a vassoura e arrumei tudo, nós dois claro. Caímos cansados no sofá:
  - Pensei que não íamos acabar hoje Arthur, a quantos dias você não limpa isso aqui?
  - Você não vai querer saber...
  - Sério, falaí.- Ele coçou a nuca e falou:
  - Duas semanas. 
  - Duas semanas?!- Perguntei incrédula.
  - Pois é.
  - O importante é que tá limpo, agora vou tomar um banho, onde é?
  - Segunda porta à esquerda.- Eu levantei e fui tomar um banho rápido, olhei pela janelinha, era alto, muito alto! Estávamos no 10º andar. Sai do box, enrolei-me na toalha e sai.- Lu!- Ele me gritou da sala e eu fui:
  - Oi.
  - Eu pedi um hambúrguer de frango para você e um de ovo para mim.
  - Jura?
  - Claro.
  - Eu vou comer aquele negócio cheio de gordura?
  - Hm... como minha namorada é preocupada com a saúde.- Ele veio em cima de mim e começou a dar vários beijos no meu pescoço.
  - E como meu namorado quer virar um balofo!- Ele riu e me puxou para um beijo. A coisa tava esquentando quando eu levantei num pulo.- Eu... eu vou vestir minha roupa.- Sai e coloquei a roupa, demorei aliás, e o encontrei no quarto com cara de frustrado. Deitei ao seu lado, um de frente ao outro.- Oi.
  - Oi.
  - Desculpe.
  - Quê isso! Mas você é... Bom, você sabe. É?
  - Não, mas foi horrível, eu só vi que tinha perdido, doía muito e só.- Ele sorriu e me abraçou. Apertamos o abraço e o interfone tocou.- Eu atendooo!- Desci, paguei e peguei. Pus a mesa e fui o chamar.- Bora?
  - Aham.- A gente foi andando, ele segurando na minha cintura e beijando meu pescoço. Comemos.- Hm... Tá uma delícia!
  - Está é gorduroso isso sim! Tem salada?
  - Eu não como salada ué!- Ele fechou os olhos e os abriu lentamente, bem engraçado, parecendo histórias em quadrinhos. Me conformei e comi todo o resto do pão. Escovei meus dentes e me deitei na cama de hóspedes.- Ei!- Arthur sentou do meu lado.- Quem disse que vai dormir aqui?
  - E onde mais eu vou dormir?
  - Comigo ué!
Pov Arthur
  - Eu vou dormir aqui mesmo.
 - Nananinanão, vai dormir comigo.
  - Nem vem.
  - Você que pediu.- Peguei ela no colo e a levei até meu quarto, coloquei-a na cama e comecei a fazer cócegas:
  - Para!KKKKKK!
  - Vai dormir aqui?
  - Não! KKKKK!
  - Enquanto não disser que sim não tem parar de cócegas certo!
  - Eu durmo, eu durmo! Mas para! KK!- Parei.
  - Nem vai doer se dormir aqui.- Falei desligando a luz.
  - Sei...- Cheguei e comecei a beijá-la. Ela correspondeu. Ficamos um tempo até ela parar.
  - Te amo de montão.
  - Também.- Dei um beijo na sua bochecha.- Boa noite.
  - Boa noite.- Dormimos de conchinha.
(...)
  - Arthur!!! Arthur acorda!- Lua estava me balançando. Olhei a janela, ainda estava de noite, olhei o relógio do criado mudo, 3:00 da manhã:
  - Lu... São três da manhã, dorme.
  - É sério, eu ouvi passos.- Aí eu me preocupei.
  - Fica aqui eu vou lá ver.- Eu me levantei com cuidado, fui com uma vassoura até a sala, liguei a luz e olhei para todos os cantos, nada. Até que eu sentir algo passando por cima do meu pé, quando olhei era um rato.- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!- Sai correndo e dei de cara com a Lua, um caiu para um lado e o outro para o outro.
  - O que era?
  - Um rato.
  - E você deu esse grito histérico por causa de um rato?- Ela começou a rir sem parar e eu dei língua.- É engraçado, mas já matou?
  - Não, eu vou lá.- Ela veio atrás de mim e o rato estava parado na nossa frente.
  - Mata Arthur! Vai logo!- Eu dei um toque pouco forte na cabeça do rato e ela caiu.- Demorou hein senhor! Tô te esperando lá no quarto.
  - Não vai me ajudar a tirar ele daqui não?
  - Ah amor! Eu tenho nojo!- Me deu um selinho e saiu. Dei meu jeito e fui para o quarto dormir de novo. A encontrei já no 8º sonho. Encaixei minhas pernas nas suas e dormir.
Pov Lua
  Acordei com barulho vindo da cozinha, eram 8:00. Me levantei e quando entrei tinha café, panelas e o Arthur no chão.
  - Deixa eu adivinhar, estava tentando fazer café?
  - Definitivamente, eu não sirvo para homem de casa.- Falou tirando as panelas de cima de dele e veio me dar um selinho.- Bom dia.
  - Hm... Bom dia.- Retribui.
  - Queria levar o café na cama para você, mas viu o desastre né?
  - Então vai para a cama que eu levo o café para você.- O empurrei até o quarto e preparei a bandeja com torradas, café, suco geleia e tudo o que tinha para café da manhã.- Oi.- Falei entrando no quarto.
  - Que delícia!- Comemos, ele olhava para mim com tanto carinho.- Topa ir no parque depois vamos na sua casa?
  - Pode ser, vou ali me trocar.- Demos um selinho demorado e eu fui no quarto de hóspedes.
  - Vamos Lu?
  - Vamos.- Nos demos as mãos e chegamos ao parque. Deitei a cabeça em seu colo e ficamos olhando.- Já pensou em ser mãe?
  - Que pergunta! Pensar já pensei, mas não quero ter nada por agora, estou muito nova, e você, já pensou em ser pai?
  - Não, só lembrei porque tem uns jovens brincando com umas crianças. Vamos para sua casa?
  - Vamos.- Nos levantamos, pegamos minha mochila e fomos em meio a muitos cheiros e beijos. Entramos em casa nos beijamos e quando, por um momento, abro meus olhos vejo o meu pai, encostado num canto escuro da sala. Separei-me do beijo e eu e o Arthur ficamos um ao lado do outro. Meu pai veio em direção ao Arthur com um olhar raivoso, como nunca tinha visto ele. Fui o deter, mas era tarde demais. O Arthur já estava no chão com o nariz sangrando.
 
 
Estão gostando? O que acham que o Arthur vai fazer?

 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Capítulo 3





 Pov Lua
  Assim que terminei de escrever meu diário fui tomar um banho. Coloquei um pijama e fui para a sala ver se tinha alguma coisa para fazer. TV? Já estava cansada. Comer? Sem fome. Ligar para o pessoal! Liguei o computador e esperei as meninas entrarem. Nós tínhamos feito uma conta nossa no Skype: A.M.I.G.A.S., que significa "Associação de Meninas Interessadas em Gargalhadas, Segredos e Amores", mas cada uma tinha a sua separada. Até que achava criativo, assim que elas entraram eu liguei:

Lua: Oi meninas!
Mel: Oie!
Sophia: Como vai por aí?
Roberta: Hoje eu fui fazer uma caminhada e parei no quiosque.- Não queria que elas soubessem que eu havia passado mal, poderiam ficar muito preocupadas.
Mel: E...- Impressionante como me conheciam bem.
Lua: E encontrei um garoto lindo, fofo. Almoçamos juntos e passamos a tarde também juntos.
Sophia: AAAAAAAAAAAAAAAA!
Lua: Só isso, e vocês aí?
Sophia: Normal.
Mel: Namoramos.
Sophia: Tomamos sorvete.
Mel: Fomos no shopping.
Sophia: Fofocamos.
Mel: Colocamos apelidos engraçados em todos que passavam na nossa frente quando estávamos sentadas no calçadão.
Lua: Legal meninas.
Sophia: Os meninos vão dormir aqui em casa hoje! Estão tomando banho.
Lua: Então tá bom meninas. Agora eu preciso desligar, meu pai acabou de chegar, vou lá ver ele.
Mel: Tudo bem, beijo e amanhã não vai dar para conversar, vamos numa festa.
Lua: Tá, beijos.
Sophia: Beijo, te amamos.- Soltei um sorriso.
Lua: Também amo vocês.

  Assim que desliguei desci para falar com meu pai:
  - Oi pai, como foi o trabalho?
  - Cansativo, amanhã eu não durmo em casa, só no final da tarde de depois de amanhã que eu volto.
  - Mas pai, a gente tinha que passar um tempinho juntos.
  - Eu tenho trabalho filhota, mas assim que der a gente sai na praia para pegar umas ondas tá?- Um lado do meu pai era um homem de negócios, mas também era um bom surfista. 36 anos de pura juventude!
  - Tudo bem.
  - Vou lá jantar, acho melhor dormir, já são nove da noite.- Ele nunca se conformou que eu um dia ia deixar de ser criança, um pai muito coruja. Concordei, subi e fiquei ouvindo música até dormir.

Pov Arthur
  Assim  que entrei em casa me joguei na cama, estava meio que cansado e dormi rápido. Acordei por volta das 9:00. Me levantei num pulo, tinha dito a Lua que iria vê-la. Coloquei uma roupa e tomei um café rápido. Sai de casa e peguei uma condução para ir a sua casa. Quando cheguei, toquei a campainha umas 3 vezes até ela atender:
  - Oi! Você aqui?
  - Ué, eu não disse que vinha?
  - Pensei que era brincadeira.- Ri.
  - Claro que não, e aí, está afim de fazer o que?
  - Não vai trabalhar hoje não?
  - Minha folga é às sextas e o final de semana não trabalho.
  - Hm...
  - E seu pai, onde está?
  - Só volta depois de amanhã no final da tarde porque tem trabalho.
  - Que pena. Então vamos?
  - Aonde?- Ela me perguntou curiosa.
  - Um passeio, alguma coisa.
  - Vou só me arrumar, vai entrando.- Entrei e fiquei esperando ela descer.- Vamos?
  - Claro, quer fazer o quê?
  - Você disse que era surpresa.
  - A surpresa era você escolher.
  - Hm...- Ela pensou um pouco.- Eu quero que você escolha.
  - Sério? 
  - Aham.- Ela balançou a cabeça em afirmação.
  - Então... Primeiro, vamos na praia, depois almoçamos, depois passeamos na cidade, depois... depois não sei.
  - E esse pouquinho de coisas nesse monte de tempo.
  - Você nem vai perceber?
  - Então vamos.

  A gente caminhou até a praia, fiz muitas cócegas nela e rimos muito. Acabamos por sentar no meio da areia:

  - E me conta, como é a sua vida lá em Porto Alegre?
  - Eu estudo ainda, tenho... sei lá, é uma vida normal, com meus amigos, minha mãe, o colégio. E você?
  - Eu só trabalho no quiosque mesmo, já terminei meus estudos. Moro sozinho, porque brigava muito com meu pai.
  - Que chato.
  - Nada! É ótimo morar sozinho, chega a hora que quer, faz o que quer, arruma quando quer.- Ela riu.- Topa entrar no mar?
  - Não coloquei biquíni.- Sinceramente, pensei besteira na hora.
  - Ué, vai de roupa.
  - E depois eu vou vestir o que?- Ela colocou as mãos na cintura.
  - Vai perder mar porque não quer entrar de roupa?
  - Claro!
  - Lua! Bora entrar, pelo menos a ponta.- Tentei convencer ela, mas não deu. Passamos um tempo no "entra" e no "não".- Então vamos almoçar que já são 13:30.
  - Tudo bem.

Pov Lua
  Eu e o Arthur começamos a andar e de repente eu vi que a mão dele pegou a minha:
  - Que foi?
  - Nada.
  - Porque pegou na minha mão?- Sorri para ele.
  - Sei lá, mas tudo bem.- Quando ele foi tirar eu segurei.
  - Não precisa, pode deixar.- Sorrimos e voltamos a andar. De verdade, pareceu até que eu era uma apaixonada, ou era mesmo. Parecia estar realmente apaixonada, pelo Arthur! Soletrando, Ar-thur. Até tinha me lembrado daquela piada "eu disse... 39!", muito besta aliás, mas que eu ria até me acabar.
  - Chegamos, aqui tem um caranguejo delícia.
  - Oba! Eu amo caranguejo.- Sentamos numa mesinha, pedimos e começamos a conversar.
  - Eu queria conversar com você.
  - Já está.
  - É que eu queria te dizer uma coisa.- Comecei a levar a sério.

Pov Arthur
  Estava disposto a conversar com ela, contar tudo que sinto e tal. No começo achei meio precipitado, conheci a garota ontem pela tarde e, vindo de mim isto é uma raridade, estou apaixonado. 
  - Tudo bem, pode falar.- Hesitei, pensei e ela me olhou curiosa.
  - Bom, é que...- Ainda bem que o garçom chegou na hora. Comemos em silêncio, mas no final ela perguntou:
  - Dá para me dizer o que queria falar?
  - Bom, meio que... pode ser outra hora?
  - Por mim tudo bem.- Saímos e ficamos andando numa calçada no centro.
  - Senta aqui.- Apontei para um banco e sentamos um ao lado do outro.- Ér... Lembra que eu queria te falar uma coisa?
  - Aham.
  - Se eu falar promete que não vai rir?
  - Aham.
  - Sério?
  - Aham.
  - Tá bom. É que... euestouapaixonadoporvocêquernamorarcomigo?
  - Aham.- Eu me espantei.- O quê? Não entendi nada.
  - Eu... estou apaixonado por você, quer namorar comigo? Você também é apaixonada por mim? Você gosta de mim? Acredita em namoro à distância?- Soltei tudo na hora.
  - Peraí, uma coisa de cada vez.- Ela pensou um pouco.- Sim para todas as perguntas.
  - Então quer namorar comigo, é apaixonada por mim, gosta de mim e acredita em namoro à distância?
  - Aham.
  - Sério?
  - Aham.- Eu a beijei.
  - Quer fazer o que hoje de noite?
  - Escolhe tu.- Ela passou as pernas no meu colo e recostou a coluna no encosto do banco.
  - Vamos lá na minha casa para você conhecer, e pode dormir lá.
  - Então antes passamos na minha para eu pegar uma roupa tá?
  - Tudo bem, então vamos.- Demos um selinho e fomos com a condução.
  - Vou subindo e já volto.

Pov Lua
  Subi e aproveitei para escrever um pouco:

"Querido diário, 
estou indo dormir na casa do Arthur. Meu pai só volta amanhã pelo final de tarde. Começamos a namorar, e estou até com um sonho, pode me chamar de... maliciosa? É né, mas minha primeira vez foi horrível, por isso, releve. Apenas sonho com um dia (ou noite né?) lindo. Agora beijos, preciso ir. Desculpe a embolação, estou com pressa.
                                                   Lua"

  Peguei uma bolsa pequena e coloquei um conjunto de roupa e outro de babydool. Minhas utilidades pessoais e desci:
  - Podemos ir.
  - Claro coisa linda.
  - Coisa linda?
  - Aham. Você é uma coisa muito linda.- Ele me abraçou pela cintura e beijou e cheirou meu pescoço me fazendo cócegas.
  - Bora.- Pegamos as mãos e entramos no primeiro ônibus:
  - Parecemos dois bobos apaixonados à primeira vista.
  - E não somos?
  - Claro que sim.- Ele respondeu.- Mas não acha que foi rápido demais?
  - Não é por isso que se chamar amor à primeira vista?
  - É mesmo né?- Refleti.
  - Vamos coisa linda, chegamos.- Me deu um selinho.
  - Nunca recebei tanto selinho de uma vez só e tantos "coisa linda", mas também é bom levar em conta que só tive um ficante em toda a vida.
  - Sério?- Me perguntou incrédulo abrindo a porta do apartamento apontando para eu entrar.
  - É, e que bagunça é essa?!- Tinha roupa espalhada no chão, todo tipo de roupa, comida esparramada na mesa e no chão, um copo quebrado no meio do corredor, mil e uma poças de água espalhadas e a TV ligada.- É que...- Ele coçou a cabeça e depois se "libertou".- São as vantagens de morar sozinho, mas quer me ajudar a arrumar?
  - Claro, tem avental?- Resolvi ajudar, se eu iria dormir ali não seria na bagunça total.
  - Não tem não, mas vamos assim mesmo. Dá aqui a mochila e eu vou colocar ali no meu quarto, os materiais de limpeza ficam ali.- Ele apontou e seguiu no corredor. Primeiro fui ver a TV, passa Big Time Rush.
  - Assistindo Big Time?
  - O Logan e o Carlos são muito lindos.- Sou super fã dos dois.
  - E eu?
  - Ciúmes?
  - Eu?
  - Quem mais?
  - Não.- Eu ri e desliguei, percebi que estava sem camisa.
  - Eu não vou pegar a roupa hein!
  - Pode deixar.- Ele pegou a roupa, assim que deu o primeiro passo escorregou que ouvi o "baque!", fui ajudar e acabei caindo em cima dele.- Te amo.



Estão gostando?