Pov
Lua
- Porque você fez isso pai?- Eu gritei tentando socorrer o Arthur.
- Como você tem coragem de sair com qualquer um que você conhece?
- Não é qualquer um, é meu namorado!
- Como é que é?- Ele arregalou os olhos para mim.
- É meu namorado!!- O coloquei sentado no sofá e meu pai veio na minha direção.
- Como você começa a namorar qualquer um que você acha e sai pelas ruas
parecendo uma desembestada agindo como uma criança?- Tomei um ar num suspiro
profundo e tomei uma coragem para enfrentar ele também.
- E o senhor está agindo como? Como um pai dos anos 50 em que a filha não pode
conhecer ninguém, nem sequer num verão, como em todo o ano e tentar viver bem
porque o pai acha simplesmente que ela tem que se dedicar a atividade “lúdica”
de lavar pratos, cozinhar e arrumar casa para conseguir um “bom partido”.- Ele
arregalou mais os olhos para mim e eu o encarei.- Eu não sou mais criança! Eu
quero viver o que eu acho de bom, se é para aprender, eu vou aprender com meus
erros! E vou viver cada minuto da minha minúscula vida fora de casa como um
sonho! Todas as experiências, seja lá o que for e ninguém vai me impedir!- Ele
me deu um tapa na cara e o Arthur levantou do sofá. Meu pai o pegou pelo braço
e o botou para fora de casa. Eu ouvi ele me chamando e tentei ir atrás, mas já
era tarde e meu pai já vinha em minha direção.
- SUBA AGORA! LIGUE PARA SUA MÃE E AVISE QUE ESTÁ VOLTANDO.
- Pai... Por favor...- Estava aos soluços já, sem saber do Arthur, nem o que
ele ia fazer comigo. Eu o amava! Sim! Eu o amava! Amava tanto meu pai quanto o
Arthur, mas ele não tinha o direito de me privar de ser feliz, era uma única
oportunidade de viver com quem eu tinha certeza de que nunca me faria mal, que
era o meu sonho de verão, era meu sonho terno e eterno. Lembrança guardada com
carinho inigualável no meu coração. Subi degrau por degrau. Tranquei a porta do
quarto e disquei o número da minha agenda, que com certeza era o mais preciso.
xx
Começo da Ligação xx
-
Amigaa! Como tá aí?
-
Oi Sô.- Falei fraca.
- O
que houve?
-
Quando chegar eu te falo, estou chegando aí hoje, no final da tarde, me espera
no aeroporto?
-
Claro amiga, mas o que houve, porque estava chorando?
-
Prometo que te explico, beijos e até.
-
Até...
xx
Fim da Ligação xx
Arrumei minhas malas e mandei uma mensagem para minha mãe dizendo que estaria
de volta daqui a algumas horas. Lavei meu rosto, para ver se desinchava, mas
infelizmente não funcionou. Desci do mesmo jeito e encontrei meu pai, já com
minha passagem impressa na mão a minha espera:
- Nunca mais se envolva com qualquer um.
- ELE NÃO É QUALQUER UM!- Gritei defendendo.
- Não vou mais discutir com você, não tem porque.
- Não tem porque o que o senhor fez, tudo isso porque estava namorando.
- Eu disse que não vou mais discutir, vá para o carro e eu levo a mala.-
Desobedeci e eu mesma a levei. Fomos o caminho em silêncio e quando chegamos
ele foi me dar um abraço. Empurrei sua mão e saí a pisadas firmes. Fiz o
check-in e entrei no avião com 5 minutos de atraso. Sentei-me ao lado de um
garoto, um garoto não, um jovem, aparentava a mesma idade do Arthur e olhou
para mim:
- Houve alguma coisa?
- Não te interessa.
- Não precisa ser grossa.
- Não precisa falar nada.
- Só queria ajudar.
- Então fica quieto.- Assim que a comissária de bordo permitiu que ligássemos
os celulares no modo avião, o fiz. Estava sem paciência para escutar ninguém
com seus conselhos, eu queria o Arthur comigo, mas depois de um tempo eu fiquei
com remorso do jeito que eu falei com o meu “vizinho” e virei-me a ele.-
Desculpe, eu não estou muito bem.
- Não, tudo bem.- Ele sorriu.- É assim mesmo que acontece, a gente fica de
cabeça quente e não quer conversar com ninguém, mas de qualquer forma, tudo vai
se resolver.
- Brigada.- Chegou em meu destino. Acenei para ele que continuaria, porque era
só uma escala e desci. Peguei minhas malas e quando abri a porta a Sophia
estava a minha espera toda Polly Pocket, rosa neon e verde neon.
- Amiga...- Ela me lançou um olhar acolhedor e me abraçou.- O Mica tá aí para
levar a gente, em casa você me conta tudo o que aconteceu. Ah! Sua mãe pediu
desculpa, mas ela teve de ir a uma reunião e mandou avisar que daqui a alguns
dias vocês vão se mudar para aquele apartamento.- Íamos nos mudar mesmo, não
fiquei espantada, e além do mais, era só de casa, não de cidade.
- Tudo bem.- Saímos abraçadas e entramos no carro do Micael.- Oi Mica!
- Oi Lu! Tudo bem?- Ele olhou pelo retrovisor. Sorri.
- Sim.- O caminho todo essa foi a única conversa. Quando chegamos em casa ele
se despediu da Soph e nós duas entramos. Fomos para meu quarto, eu tomei um
banho e começamos a guardar as minhas roupas sujas e limpas e a arrumar o
guarda-roupa:
- Fiquei preocupada Lu... O que houve?
- Lembra-se daquele menino que contei para vocês que eu tinha conhecido?
- Sim.
- Então, meu pai só ia voltar do trabalho amanhã no final da tarde, aí a gente
começou a namorar e eu dormi na casa dele, sem segundas intenções Sophia!-
Olhei para ela e voltei a arrumar as coisas e ao mesmo tempo contar.- Quando eu
voltei, meu pai deu um soco na cara dele, me deu um tapa na cara e colocou ele
para fora só porque não queria que eu namorasse, e blá blá blá. Foi aí que eu
liguei para você, arrumei minhas coisas e fui para o aeroporto.- Meus olhos já
estavam marejados.
- Amiga...- Nos abraçamos forte.- Tudo vai se resolver. E vamos esquecer isso e
arrumar suas coisas.- E o fizemos.- Fomeeee!
- Sophia sua draga.- Rimos. Descemos, nos lambuzamos de bolo de chocolate e
refrigerante e depois subimos de novo.
- Vamos sair hoje para o calçadão e ficar colocando apelidos no povo?
- Essa é minha atividade preferida! Eu vou me arrumando enquanto você liga para
o pessoal tá bom?
- Ok dona Lua, coloca rosa hein!
- Nunca! Preto é vida!- Gritei do banheiro.
- Vida do Drácula!
- Então meu nome agora é DracuLua!- Gargalhamos.
- Então seu pretendente é o Drácula?!
- Não!
- E quem é?
- O DracuThur!- Rimos.
(...)
“Querido
diário,
Hey!
Última folha! Há quanto tempo hein?! 5 anos! Quando me mudei acabei perdendo
você e nem sequer save das “novs”. Deu tudo errado naquele tempo, o meu pai
bateu no Arthur porque não queria que eu namorasse com ninguém e eu voltei para
casa. Três dias depois me mudei para um apartamento e foi aí que eu perdi você.
E olha onde eu te encontrei! No meio das minha velharias, e aqui vai o relato
mais lindo, na sua última folha, eu e o Arthur nos reencontramos! É... Alugamos
um apartamento e moramos juntos. Na verdade foi um acaso, quando eu estava a
procura de emprego e adivinha quem se sentou ao meu lado à procura da mesma
coisa? Pois é... É como dizem, sonho que é sonho não acaba, somente pede uma
pausa, um momento de reflexão, e eu refleti e escolhi minha opinião (rimou!),
ele sim é o dono do meu coração, dos meus sonhos profundos, dos meus carinhos
guardados e de todo o meu amor. Enquanto a Sophia e a Mel... engravidaram! E eu
sou madrinha das filhas delas, eu e o Arthur, meu DracuThur (ainda lembro dessa
piada). Eu e o Arthur ainda não pensamos em ter filhos nem nada, cedo ainda,
MUITO cedo! Mas nos amamos muito.
Beijos,
Lua."
